Gabinete de crise da dengue descansou no feriado

Sexta-feira, 21/03, o Jornal Nacional da Rede Globo anunciou que o governo decidiu instalar um Gabinete de Crise (nome pomposo quando se quer dar um destaque) para tentar amenizar os problemas com a epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Até aí tudo bem, a epidemia atingiu níveis que já deveriam ter mobilizado as autoridades. A mídia expôs à exaustão doentes, principalmente crianças, esperando horas e horas nas filas de atendimento nos hospitais do Rio de Janeiro e o desespero dos pais.

Há mais de uma semana as manchetes trazem histórias tristes e o crescimento as mortes atribuídas à dengue. O índice de mortalidade, segundo a Organização Mundial de Saúde é de 5% no Rio, quando o índice tolerado no mundo não deve passar de 1% dos infectados. O que se viu até agora foram os governos (federal, estadual e municipal) discutirem e se alfinetarem, trocando acusações sobre o culpado pelo estado atual do atendimento. O secretário de saúde do Rio de Janeiro chegou a insinuar que a população é culpada, por não ter colaborado na eliminação do mosquito.

A grande sacada, então, foi anunciar o chamado Gabinete de crise. Só que, pasmem, se gabinete de crise significa algo extremo, para resolver situações emergenciais, durante uma crise, conforme ensinam os manuais, não dá para entender como o governo anuncia o tal Gabinete na sexta-feira (dia 21) para se reunir a partir de segunda-feira. Parece até que as autoridades deram uma trégua de Páscoa ao mosquito da dengue, pedindo para ele não atuar durante os feriados, só voltando a atacar na segunda-feira.

Esse foi um erro primário. Seria melhor, nesse caso, não anunciar o chamado Gabinete de Crise. Uma vez criado, imediatamente deve estar atuando. Só se justifica Gabinete de crise em situações de emergência, como é o caso. Com tal, merece toda a prioridade do governo, mesmo durante feriados ou fim-de-semana.

Como se não bastasse essa mancada, o mesmo JN deu um exemplo do descaso das autoridades em relação a esse assunto. Mostrou uma dona de casa tentando denunciar um foco de mosquito na residência da vizinha para um telefone 0800, conforme pede o próprio governo. Escutou a seguinte mensagem: “Nosso horário de atendimento é das 8h às 20h nos dias úteis”.

Acredite, se quiser. Enquanto as autoridades batem cabeça, o aedes aegypti pôde passar os feriados e a Páscoa sem ser incomodado.